Palácio Sotto Mayor III

 

Em tempos considerado "o mais belo e sumptuoso edifício da Figueira", o palácio continua a despertar o interesse e a curiosidade, tanto de figueirenses como de turistas.

O edifício preserva grande parte do mobiliário original, bem como o recheio e as pinturas de cavalete dos seus primeiros proprietários, permitindo-nos vislumbrar o ambiente e a vivência de outrora. 


No entanto, o mais extraordinário ao atravessar as suas salas e salões, subir os quatro pisos e percorrer os quartos e áreas de serviço, é imaginar a vida que ali se desenrolou, representativa de uma sociedade que já desapareceu.


Ao subir a elegante escadaria da fachada principal, chega-se ao andar nobre (no segundo piso), o mais faustoso e social dos cinco, refletindo a opulência do proprietário. 

Após o vestíbulo, abre-se um conjunto de divisões que formam um circuito social: a sala de visitas, o escritório do dono da casa...


a sala de fumo ou de café, a sala de jantar, a copa, a sala de jogos, 


a sala de música, a sala de baile e, atravessando transversalmente o espaço, um monumental corredor para onde se abrem a maioria destas dependências.

No terceiro piso, encontramos outro corredor transversal, o quarto de hóspedes conhecido como Quarto do Bispo, o Quarto do Secretário do Bispo, a Sala de Audiências do Bispo, o Vestíbulo, 


o Quarto do Dono da Casa, o Quarto da Esposa e os quartos das três filhas, alinhados junto aos dos pais, com pequenas variações na decoração. Existe também uma saleta de estar familiar.


O quarto piso proporcionava aos quatro filhos uma liberdade impensável para as raparigas da época, com acessos independentes. Este andar também albergava os quartos dos amigos da família e de visitas menos formais, além de instalações sanitárias, um corredor e, no total, doze compartimentos.

O quinto e último piso era destinado ao pessoal doméstico feminino, alojado em águas-furtadas em condições mais modestas, apesar do carácter progressista do palácio, que incluía instalações sanitárias, um corredor e nove quartos.


António Ramalho pintou vários tetos deste palacete, adornando-os com grandes medalhões emoldurados em estuque. O painel da escadaria, pintado a fresco e inacabado, representa uma festa pagã num cenário idealizado na Grécia Antiga, com sacerdotisas a dançar e a tocar instrumentos diante de um templo arruinado.

Nas salas e salões do palácio, realizavam-se bailes, concertos e tertúlias, que contavam com a presença de convidados distintos, artistas plásticos e intelectuais. Joaquim Sotto Mayor rodeou-se do que havia de mais moderno no mundo à época.

A eletricidade foi instalada em 1928, os pisos estão conectados por um sistema de telefones internos...

havia uma central telefónica e uma escada de serviço com elevador, utilizado tanto como monta-cargas como para transporte de pessoas.

A casa de banho era de um requinte raro, com loiça Vista Alegre e revestida de azulejos em relevo.

A cozinha estava equipada com o que de mais moderno existia na época. As refeições eram enviadas para a copa através de um elevador de comida, à semelhança dos restaurantes de luxo daquele tempo.

Lá fora, a propriedade estendia-se por 30 hectares até ao mar, entre pomares e campos agrícolas. 


No entanto, o crescimento da cidade foi progressivamente reduzindo a extensão da propriedade, restando hoje apenas três hectares.































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