Trilho da Cascata - do Espinhal à Louçainha
Este trilho foi recentemente marcado pela Câmara de Penela, embora já estivesse referido no Guia Quercus – Percursos na Serra do Sicó.
É um trilho que nos levou a (re)conhecer um dos mais bonitos espaços naturais, de uma beleza inquestionável, cujo traçado passa por um parque de merendas, embelezado por lindas quedas de água, com destaque para a posterior Cascata da Pedra da Ferida e no final terminamos na Praia Fluvial da Louçainha.
O troço da ribeira da Azenha é extremamente rico em diversidade botânica autóctone.
Através de um único acesso, é possível percorrer este troço (que se encontra marcado) ao longo do curso de água.
A grande irregularidade do terreno traduz-se em espetaculares quedas de água e em pequenas lagoas, com águas cristalinas que nos convidam a mergulhar. Abobadados por uma vegetação luxuriante, encontrámos várias azenhas abandonadas.
O trilho é linear e iniciámos no largo da Capela de Santo António do Calvário, na Vila do Espinhal (concelho de Penela), local onde optamos por estacionar a viatura.
Subimos ao Calvário para uma visita às várias estações da via sacra e admirar a paisagem.
O regresso foi efetuado por um caminho rural que segue em direção à vila.
Seguimos as marcações do PR e alguns metros à frente surge um sobreiro de porte magnífico e a Fonte do Monte do Calvário.
A estrada continua a descer ao longo de pequenos campos agricultados. A encosta do lado direito do vale encontra-se ricamente arborizada (apenas nas cotas mais baixas) com sobreiros, castanheiros, nogueiras, pinheiros, etc.
A vegetação junto à Ribeira da Azenha também é deslumbrante vista da estrada. Sobretudo amieiros, ulmeiros e salgueiros compõem esta mata ribeirinha.
Junto à estrada crescem exemplares de carvalho-cerquinho, pinheiro-bravo, oliveira e eucalipto.
Continuámos seguindo as placas que nos indicam o sentido da cascata da Pedra da Ferida, chegando à pequena localidade de Rio Simão. Continuamos em direção ao estradão (junto da casita da “Toca do Leão”), depois, um pouco à frente, numa outra bifurcação (vêem-se algumas casas da localidade de Ribeira da Azenha), subimos pela esquerda.
Nesta parte da estrada, um pinhal mistura-se com eucaliptos. Vêem-se também alguns exemplares de carvalhiça. Deste ponto elevado, observamos, para a nossa direita e ao fundo do vale, algumas belas quintas.
Um pouco à frente a estrada encontra-se infestada por acácias. Passamos ao lado de um penedo de quartzito. Subimos e o caminho vira à esquerda. Deste ponto temos ótimas vistas sobre a ribeira. Atingimos, pouco depois, um pequeno largo. A partir daqui a estrada de terra batida dá lugar a um trilho pedestre geralmente húmido e sinuoso.
Chegamos assim ao fantástico parque de merendas da Ribeira da Azenha, local apropriado para desfrutar do espaço de lazer que aí foi criado.
A vegetação é exuberante e rica. Percorremos a ribeira em busca dos vários moinhos de água (a maioria em ruínas) e seguir logo depois pelo trilho de pé posto que nos leva às cascatas.
A humidade permanente torna o piso muito escorregadio, no entanto as pontes/ passadiços de passagem, as cordas de apoio e os degraus nas pedras, dão-nos alguma sensação de segurança.
Ficamos deslumbrados com a vistosa cascada da Pedra da Ferida, com 32 metros de altura, a mais alta do distrito de Coimbra. Um local maravilhoso para um refrescante banho.
À direita da cascata surge um trilho de progressão, por pedras e degraus, que nos levam ao topo da queda de água. Um bom esforço para uso das mãos e bastões.
A paisagem com que nos deparamos é deslumbrante, pois vemos a cascata de cima para baixo e reparamos que outras quedas de água nos dão animo para seguir.
Surgem alguns troços de caminhada técnica e alguma dificuldade. Por vezes é necessário usar as mãos em cabos de aço e passar o vão da ribeira numa trave com 15 cm de largura, subir degraus em que a perna não alcança e que só com as mãos conseguimos ultrapassar.
A remarcação do trilho levou à construção de novos passadiços que facilitam as várias travessias da ribeira.
Antes de chegarmos à ponte de Carvalhal da Serra voltamos a passar por muitas azenhas em ruínas, marcas de outros tempos, em que os moleiros retiravam a força da água para moer os cereais.
Chegamos à estrada municipal, atravessamos a ponte e seguimos o percurso marcado. A ascensão agora é menos difícil, mas, ainda assim, encontramos alguns pontos de subida com degraus muito rudimentares que obrigam a algum cuidado.
Continuamos acompanhados pela ribeira, o que torna este trilho bastante agradável. Sem darmos conta chegamos ao parque de merendas da praia fluvial da Louçainha - sítio ideal para um descanso bem merecido.
Adaptada das represas naturais da Ribeira da Azenha, a Praia Fluvial da Louçainha é motivo de orgulho das gentes do concelho de Penela. Este espaço balnear escondido na serra do Espinhal, tem muitas vezes a lotação esgotada nos meses de verão.
A qualidade das águas, os excelentes equipamentos fluviais e a preocupação ambiental têm-lhe valido a atribuição regular da Bandeira Azul, que exibe a par da classificação de Praia Acessível.
A profundidade da área balnear, que na parte da prancha de mergulho ultrapassa os três metros, transforma-se no lugar ideal para umas braçadas.
Este percurso pode ser feito em duas “tranches”: do espinhal até à cascata e regresso, sendo que é possível ser feito pela generalidade das pessoas com mobilidade normal e sem um esforço físico especial; a progressão da sua totalidade seguindo a partir da cascata implica uma boa condição física, calçado adequado com grande aderência e não se pode ter vertigens.
Este trilho não deve ser feito em períodos de chuva, nem após dias chuvosos, pois o caudal aumenta substancialmente e as pedras estão muito polidas com possibilidades deslizes de terras e lodo.
Tentamos regressar ao Espinhal por caminhos de floresta, o que não foi possível.
Após percorrer algumas estradas municipais, sem movimento automóvel, passando por bonitas aldeias como a Malhada Velha e Bajancas.
Na ponte de Carvalhal da Serra retomámos o percurso marcado e percorremos o trilho inverso.
Acompanhados pelo "cantarolar" da ribeira chegámos ao Espinhal.
Esta freguesia ocupou um lugar de importância na História de Portugal, onde se encontram várias referências, principalmente devido à importância da estrada que por ali passava fazendo a ligação norte-sul. Esta estrada foi a responsável pela evolução da freguesia porque beneficiava das trocas comerciais, nomeadamente na feira semanal que ainda hoje se realiza.
Desde o século XVI que esta freguesia se encontra ligada a atividades como a fundição do ferro e do cobre e do fabrico do papel. As atividades desempenharam um papel determinante no desenvolvimento da freguesia.
O Espinhal esteve envolvido nas Invasões francesas do século XIX devido à passagem das tropas francesas e portuguesas pela vila. A relevância desta vila é facilmente testemunhada pela existência de várias famílias nobres e das suas residências senhoriais.
De referir o provérbio do século XV, em que se afirmava "três aldeias tem Portugal; Fundão, Condeixa e Espinhal". O Espinhal, por decreto régio, foi elevado a vila a 16 de Julho de 1906.
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